“Produção nacional.
Expõe-se o raro e rareia-se o exposto.
Dos velhos discos do sotão e da cave aos novos mais escondidos.
Muita música e algumas ideias.
Novidades, novidades só aqui.”
Fausto da Silva e Nuno Ávila, são dois nomes incontornáveis do panorama musical de Coimbra e mais concretamente da Rádio feita em Portugal.
Ambos dedicam parte do seu tempo à divulgação da música feita em Portugal e por portugueses, através do Programa Santos da Casa.
O Santos da Casa atinge este ano a maioridade, está no ar desde 1992, emitido na Rádio Universidade de Coimbra, todos os dias às 19:00H em 107.9FM ou online em ruc.pt/emissao.php.
A RUC – Rádio Universidade de Coimbra, começou a debitar sons em meados de 1986. Fausto da Silva já por lá trabalhava, com o Programa “Canto Lusitano”, enquanto que Nuno Ávila entrou para a RUC em meados de 1989, sendo que, na altura, Nuno Ávila divulgava a música portuguesa através da sua fanzine “Luso Mania”. Nessa altura proliferavam os Concursos de Música Moderna, Coimbra e com organização da RUC também teve o seu e em duas edições, 1988 e 1989.
O Santos da Casa é mais do que um Programa de Rádio, é uma referência na divulgação da música portuguesa, graças ao esforço e dedicação dos seus autores. A par de Programa de Rádio, surge também como organizador de eventos. Anualmente organiza o Festival Santos da Casa, que em 2010 contou com a 12.ª edição.
Em 1998, surgiu nos escaparates com edição da Coimbra B - Eventos Musicais, uma compilação simplesmente denominada “Santos da Casa” e que inclui os seguintes projectos: Hand Puppets, Overdrive, Kiute Loss, Hornet; Bubbles, Kafka, Overbliss, Everground, Phase, Bigo, Orange, Delacroix, More Republica Masonica, Raindogs, Mártir, Squeeze Theeze Pleeze, Megafone, Rosenkranz e Cello.
Segue uma breve "conversa" com Nuno Ávila.
Grey Age: Ainda te lembras da 1.ª emissão do Santos da Casa?
Nuno Ávila: Já não. Passaram já muitos anos.
GA: E surgiu porquê?
NA: Surgiu com o intuito de divulgar os sons nacionais. Foi criado pelo Fausto Silva. Eu entrei em 1994.
GA: I Mostra de Música Moderna – Coimbra 88, recordas esses tempos?
NA: Claro que sim. Passaram por Coimbra grandes bandas. Alguns destes músicos continuam a dar cartas no panorama da musica nacional. Foi pena a terceira edição ter ficado a meio, por alguns patrocinadores terem fugido com o rabo à seringa.
GA: Conta-nos um episódio marcante nesta já longa vida do Santos da Casa?
NA: Existem tantos! Se calhar o que marca mais este programa é o reconhecimento que ele tem sem muitas vezes darmos por ela.
GA: Fala-me da edição do CD "Santos da Casa"?
NA: A ideia surgiu naturalmente. Era para ter apenas 12 bandas, pois a RUC fazia 12 anos. Lançou-se um concurso. A meio do processo surgiu a ideia de completar o espaço restante do CD com bandas convidadas. Temos verdadeiras pérolas neste CD entre concorrentes e convidados. O tema dos More Republica Masónica é inédito. João Aguardela com Megafone escreveu um tema em exclusivo e que não está em mais lado nenhum. Corsage estrearam-se em disco aqui. Evergraund tinha na sua formação a actual voz dos Les Baton Rouge, Orange era o projecto do Paulo Gouveia, o Gomo. Alguns elementos dos Bubbles fazem hoje parte de Norton. Como se comprova um disco fundamental (modestia à parte).
Temos a honra de este disco estar referido no livro, edição da FNAC, "Duzentos e Trinta e um Discos para um percurso pela musica urbana em Portugal - 1960/2005". Escolhas feiras por Henrique Amaro, Jorge Mourinha e Pedro Félix.
GA: E o "Festival Santos da Casa", fala-me um pouco destas 12 edições.
NA: Surgiu com a finalidade de mostrar a Coimbra as bandas que o programa e o blog divulgam, tentando sempre trazer à cidade grupos que cá tocam pela primeira vez.
Foi assim com Fat Freddy, Gomo, Loto, Sam The Kid, Linda Martini, U-Click, Paus, Anaquim (que se estrearam ao vivo no nosso festival) entre tantas outras bandas. Verdadeiras apostas. Corre-se o risco. As sementes dão fruto e muitas das bandas já voltaram a tocar em Coimbra muitas vezes, passando até por a Queima das Fitas.
Hoje o festival decorre em vários espaços diferentes, tentando nós aproveitar as portas que nos são abertas e criando assim um festival diferente.
GA: Quantas bandas já terão os Santos da Casa divulgado?
NA: Que pergunta tão difícil. Milhares...
GA: E em relação a ouvintes, nesta altura em que a net toma conta das nossas vidas, ainda há quem resista e oiça rádio? Quais as diferenças no feed-back em 1992 e 2010?
NA: Continuamos a ter ouvintes felizmente, se não já tínhamos feito as malas e partido. Contudo, a net é importante e foi por isso que criamos o nosso blog em 2003 que tem posts diários desde então. E é por isso que nos "infiltramos" nas redes sociais. O objectivo é sempre o mesmo: divulgar a musica portuguesa. Mas sim, como disse, ainda temos ouvintes e o feed-back continua ser bom e o trabalho compensador.
GA: Até quando o Santos da Casa?
NA: Até sentirmos que este nosso trabalho é importante e que a nossa ajuda na divulgação é válida. Se houver uma pessoa do outro lado nós cá estaremos!
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