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quinta-feira, setembro 02, 2010

Rescaldo de Ataraxia no Festival Entremuralhas


E ali nos encontrávamos no cenário idílico do castelo, que servia de mote ao nome do festival e que pretendia dar evidência à música gótica e a toda a cultura que a envolve.
A expectativa para o concerto de Ataraxia era grande, devo confessar, e não podemos dizer que tenha saída defraudada, mas esperava mais. Para quem tinha conhecido a banda há relativamente pouco tempo e tinha gostado tanto, só ansiava por os ver actuar em palco. E ali estava Francesca Nicoli em todo o seu esplendor e com aquela voz evocativa inconfundível a prender as atenções de quem assistia. Que não restem dúvidas, para além de muito bonita é uma mulher com uma aura de magia que cativa e fascina imediatamente o público.



O som medieval fez-nos viajar para outros tempos e nisso a banda foi exímia, o lugar era o ideal, adequava-se na perfeição. Faltou um elemento fundamental da banda, Ricardo Spaggiari, o percussionista, que se fez notar para completar a sonoridade habitual.
O clima inspirado pela mãe natureza estava ali, no palco, bem patente por toda a encenação. Lamentavelmente Ataraxia não nos presentearam com as suas habituais coreografias.
Privilegiaram a apresentação do último álbum, dando lugar a temas anteriores inesquecíveis como Oduarpa, mas também apresentado já uma música do próximo trabalho.
Foi a primeira de muitas que ainda espero ver, já que eles vêm tantas vezes ao nosso país.
Um concerto muito agradável.



Vídeo e foto cortesia de André Leão.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Ataraxia

Ataraxia é um grupo italiano de artistas nascido em Palermo, formado em 1985 que cria e explora música, poesia, teatro e fotografia e que tem dedicado a sua vida à arte. O quarteto é formado por Vittorio Vandelli nos sintetizadores, guitarra medieval e vocais, Giovanni Pagliari nos teclados e vocais, Riccardo Spaggiari na percusão e Francesca Nicoli, fundadora da banda, na flauta, vocais e címbalo.

Criaram uma música com uma atmosfera altamente poética e espiritual que agrega diversos estilos desde Neoclassical, Ethereal ao Dark Folk, sempre em busca de novas sonoridades. Nasceram sob a influência da cultura mediterrânea, céltica e oriental, gostam de abordar a mitologia grega e latina, de misturar o sagrado e o profano e têm como preocupação a transmissão da cultura oral através dos nossos dias.

Consta que começaram por se tornar conhecidos através de uma cópia de uma cassete que se foi multiplicando de Itália pelo mundo fora. Tendo aos poucos essas cassetes dado lugar a álbuns, trazendo notoriedade à banda e transformando-a numa das maiores referências da música gótica medieval em todo o mundo.
Ataraxia conta com uma extensa discografia, possui cerca de vinte álbuns originais editados. Simphonia Sine Nomine foi o seu primeiro álbum editado em 1994.



É de referir que em 1998 Ataraxia editou Os Cavaleiros do Templo (Live in Portugal MCMXCVIII), um registo gravado em Lisboa e produzido pela Simbiose em Portugal. Foi feita uma edição restrita de mil exemplares, numa caixa especial com um cd e um VHS, tornando-se assim numa rara peça de coleccionador. Segundo os próprios “foi uma espécie de tributo à vossa herança arquitectónica e aquele silêncio que nós sentimos tão próximo, da nossa atitude contemplativa.”, “Em algumas das nossas músicas tentamos descrever esta plenitude pacífica, a nobre simplicidade de algumas das catedrais, os castelos e velhos caminhos que visitamos”
Mais tarde foi editado, também com selo português, Equilibrium Music Portugal, um cdpack duplo, La Via Verso Il Cielo com uma banda também italiana "Autunna Et Sa Rose".

Ataraxia manifesta uma predilecção especial por Portugal, onde têm vindo com regularidade. Pela forma como falam, demonstram bem a sua enorme paixão por este país.“Nós visitamos Portugal várias vezes, tanto por causa da banda, como por opção pessoal. As primeiras palavras que me vêm à cabeça são “silêncio”, “paz” e solidão”. Nós ficamos completamente absortos pela beleza dos sítios históricos que tivemos oportunidade de visitar e sentimo-nos profundamente em contacto com a atmosfera solene e espiritual, que sentimos em alguns jardins, onde a pedra antiga se misturava harmoniosamente com a vegetação. Achamos também que através do seu som fluido e sensual, a língua portuguesa expressa a alma do lugar onde nasceu e se formou. É uma língua que possui o encanto da calma, feita de tempos meditativos, trás até nós rios de memórias, e cheira como um jardim de sons.”



Três anos após Kremasta Nera, o italiano ethereal folk de Ataraxia regressa com um novo álbum, Llyr. O título do àlbum refere-se a um instrumento musical de cordas conhecido pela sua utilização na antiguidade clássica, visualmente inspirado nos cisnes. Tendo como base a lírica poética grega, Liyr é inspirado na cultura pagã, tradições celtas e na mãe natureza. Llir transporta-nos numa viagem fantástica por terras do mediterrâneo até à India. As vozes femininas são acompanhadas por vezes por vozes masculinas. Mas o que sem dúvida temos a realçar é a voz da carismática Francesca Nicoli que criou um estilo tão próprio e inconfundível.
"Scarborough Fair", uma canção tradicional inglesa, mais conhecida pela versão de Simon e Garfunkel, encontra-se aqui num delicioso registo. "Borrea" é um dos meus temas preferidos, um poema sussurrado que nos faz transpor para um lugar imaginário, com o mar ao fundo. Bem como Lyr, tema homónimo do álbum, a lembrar a música barroca e medieval, tanto do meu agrado.

Resta-nos aguardar pelo momento mágico da performance de Ataraxia no enquadramento histórico e arquitectónico do Castelo de Leiria, lugar mais apropriado não deve haver. Tudo leva a crer que será uma experiência absolutamente ímpar, a não perder.

Deixo-vos aqui uma entrevista dos Ataraxia, na íntegra, que espelha bem a essência da banda e tudo aquilo que a inspira.

Informações:

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